Começam nesta sexta-feira, 07 de outubro, as inscrições para o Prêmio Boas Práticas de Gestão das Fundações de Apoio das universidades públicas e de institutos federais de ensino e pesquisa. O prazo vai até 21 de outubro de 2022, às 14hs.

O resultado do concurso será conhecido em 18 de novembro –, o último dia do 5º Congresso Nacional do CONFIES, a se realizar nos dias 17 e 18 do mesmo mês, no Rio de Janeiro. O evento será híbrido:  online e presencial.

INSCRIÇÕES 

➡️ Inscrições podem ser feitas pelo link:  https://confies.org.br/institucional/premio-boas-praticas. Não deixem a sua inscrição para última hora.

REGULAMENTO

No mesmo link estão disponíveis as regras para o Prêmio Boas Práticas. O julgamento dos projetos é conduzido por uma comissão técnica formada por membros do CONFIES. Os projetos finalistas recebem Diploma de Menção Honrosa pela aprovação da obra, de acordo com os critérios estabelecidos no regulamento, disponível no site do CONFIES.

HISTÓRIA 
Criado em 2019, o Prêmio Boas Práticas de gestão das fundações de apoio é realizado e divulgado todo ano no decorrer dos congressos  nacionais do CONFIES. O objetivo é premiar as boas práticas das fundações à frente da gestão dos projetos das instituições apoiadas.

O prêmio é um instrumento para identificar, reconhecer, disseminar e estimular práticas bem-sucedidas e replicáveis das fundações de apoio. Consideram-se boas práticas as ações, projetos e publicações que apresentarem resultados comprovados de criatividade, aplicabilidade, replicabilidade e eficiência, implementados e executados pelas fundações de apoio ou pelas suas IFES apoiadas.

(Assessoria de imprensa)
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CONFIES aguarda sugestões de temas e de palestrantes para o Congresso até 07 de outubro

A Diretoria do CONFIES – Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica – decidiu nesta quarta-feira, 28, em reunião online, que o 5º Congresso Nacional anual das Fundações de Apoio à atividade de pesquisa se realizará em 17 e 18 de novembro, no Rio de Janeiro.

O evento será híbrido – online e presencial. A intenção, contudo, é de reunir o maior número de participantes presencialmente e, assim, poder integrar mais às ações do CONFIES frente aos desafios conjunturais do País. O entendimento dos diretores do Conselho é de que a pandemia está sob controle em decorrência do avanço da vacina contra a covid-19.

Nos últimos quatro anos, os encontros nacionais anuais das Fundações de Apoio à pesquisa ocorreram em Brasília. A mudança em 2022 deve-se ao esvaziamento de autoridades públicas na capital em razão do período eleitoral e também pela mobilização da Copa do Mundo.

Serão realizados fóruns setoriais e mesas de debates. O CONFIES aguarda sugestões de temas e de palestrantes para o Congresso até 07 de outubro.

O presidente do CONFIES, Fernando Peregrino, mediou a reunião online da Diretoria e discorreu sobre o importante papel das fundações de apoio na captação de recursos para a atividade de pesquisa nas universidades públicas e institutos federais de ensino e pesquisa. Peregrino lembrou da receita recorde de R$ 8 bilhões no ano passado, em contraste com o esvaziamento do orçamento público da ciência e tecnologia.

“Somos a porta de entrada e de conservação do dinheiro para a pesquisa brasileira”, reforçou Peregrino.

Consulta pública do Senado 

O presidente do CONFIES reforçou ainda o pedido para que as fundações de apoio votem contra à Medida Provisória (MP) 1136 que tira recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o principal instrumento de fomento à ciência brasileira. A MP está em consulta pública do Senado Federal disponível AQUI.

Decreto nº 7423 – reforma do decreto das Fundações de Apoio

Peregrino falou ainda sobre o andamento da reforma do decreto (nº 7423) que prevê a autorregulação das fundações de apoio – o que representa mais um esforço para reduzir os gargalos burocráticos da atividade de pesquisa.

Solicitada pelo CONFIES, a proposta costurada entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Educação (MEC) encontra-se na Casa Civil para ser assinada, informou Peregrino que vem conversando com responsáveis pelos ajustes no decreto para atualizar a Lei das Fundações de Apoio (8.958/1994).]

Segundo Peregrino, a reforma desse decreto deverá dar tranquilidade, segurança jurídica e agilidade tanto no credenciamento como no recredenciamento das fundações. Além do aperfeiçoamento no funcionamento das fundações de apoio.

Sócio institucional da SBPC

A Diretoria do CONFIES aprovou por unanimidade um convite para o CONFIES se tornar sócio institucional da SBPC, considerando que a decisão enriqueceria ainda mais o papel das fundações de apoio dentro do sistema de ciência, tecnologia e inovação.

Assessoria de imprensa
comunicacao@confies.org.br

Presidente do CONFIES, Fernando Peregrino é um dos convidados para audiência pública, a se realizar pela CCT do Senado Federal para avaliar os impactos da MP que bloqueia recursos do FNDCT

O Senado Federal abriu uma consulta pública sobre à Medida Provisória 1136 que tira recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o principal instrumento de fomento à ciência brasileira.

O CONFIES recomenda que todas as fundações de apoio de universidades públicas e de institutos federais de ensino e pesquisa, filiadas –, além de todos os interessados no avanço da ciência brasileira – votem contra a MP nessa a consulta pública, disponível AQUI.

A MP 1.136/2022, editada no final de agosto pelo Palácio do Planalto, impõe limites para utilização dos recursos do fundo. Criado em 1969, o FNDCT é uma das principais fontes de financiamento para fomento à ciência, tecnologia e inovação no país.

Audiência pública

O presidente do CONFIES, Fernando Peregrino está entre os convidados para uma audiência pública, a se realizar pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal  para avaliar os impactos da MP que reduz os recursos do FNDCT. A data do debate ainda não foi definida pela comissão.

Além do CONFIES, o autor do requerimento (REQ 31/2022) da audiência pública, o senador Jean Paul Prates (PT-RN), sugeriu como convidados os representantes dos ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovações; da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Também o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade e os representantes da Academia Brasileira de Ciência (ABC); da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

(Assessoria de imprensa)

Foto: Agência Senado

Presidente do CONFIES, Fernando Peregrino considera a ADI fundamental para recuperação do financiamento da ciência brasileira

Quatro partidos políticos entraram com um pedido de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de suspender os efeitos da Medida provisória (1.136/2022), publicada em 29 de agosto deste ano, pelo Palácio do Planalto, restringindo a aplicação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) em projetos de pesquisa.

O contingenciamento dos recursos do FNDCT, o principal instrumento de fomento da ciência, era proibido por uma lei aprovada em 2021. A MP, contudo, retirou da lei essa proibição e estabeleceu limites para aplicação dos recursos nos projetos de pesquisa cientifica e tecnológica do País. A utilização de 100% da receita será possível somente em 2027.

A ADIN suspende ainda efeitos do Decreto nº 11.190, de 6 de setembro de 2022, que “altera o Decreto nº 10.961, de 11 de fevereiro de 2022, que dispõe sobre a programação orçamentária e financeira e estabelece o cronograma de execução mensal de desembolso do Poder Executivo federal para o exercício de 2022”.

O presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES), Fernando Peregrino considera a ADI fundamental para recuperação do financiamento da ciência brasileira.

Conforme a MP, a aplicação dos valores do FNDCT em despesas reembolsáveis e não reembolsáveis observará a seguinte ordem:

No exercício de 2022, a alocação de despesas fica limitada a R$ 5,5 bilhões. No exercício de 2023, o valor se limitaria a 58% do total da receita prevista no ano; para 2024, 68% do total da receita prevista no ano. Em 2025, 78% do total da receita prevista no ano; para 2026, 88% do total da receita prevista no ano; e no exercício de 2027, 100% do total da receita prevista no ano.

Documentos: 01 – ADI – MPV 1136 – FNDCT

(Assessoria de imprensa)

 

O presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES), Fernando Peregrino, participará na quarta-feira, 22 de setembro, de um ciclo de debates organizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento virtual discutirá sobre vulnerabilidades da soberania nacional no contexto das comemorações do bicentenário da independência na universidade.

Também diretor da Fundação Coppetec, que apoia a UFRJ, o presidente do CONFIES participará da mesa de debate Desafios da Soberania Tecnológica”, de 10hs às 12hs. Peregrino dividirá a mesa de debate com outros especialistas, como Carlos Gadelha (Fiocruz) e Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES).

(Assessoria de imprensa)

Evento da Associação dos Pós-graduandos (APG/USP) será transmitido ao vivo nesta sexta-feira, 16, pelo Youtube

O presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES), Fernando Peregrino, ministrará nesta sexta-feira, 16 de setembro de 2022, uma palestra online para os pós-graduandos da Universidade de São Paulo (USP).

A se realizar amanhã às 18 horas, o evento, organizado pela Associação dos Pós-graduandos (APG/USP), será transmitido ao vivo pelo YouTube da APG/USP (https:www.youtube.com/watch?v=VP9uZ-Fc6dQ).

Será um debate acadêmico político sobre o futuro do Brasil – Ciência e Trabalho no Brasil. O doutorando de História Econômica, Cristian Addario, será o apresentador da palestra do presidente do CONFIES, Peregrino, que também é diretor da Fundação de Apoio Coppetec, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A palestra será sobre a produção científica brasileira e o contexto da economia mundial, sob uma perspectiva histórica e a formação dos pesquisadores nas universidades de pesquisa; e o futuro para tais trabalhadores especializados na economia brasileira. Problematizando o déficit dessa força de trabalho e a desindustrialização do Brasil desde os anos 1980, com o neoliberalismo.

Trajetória

Peregrino é engenheiro, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ. Foi líder estudantil no período da ditadura militar, tendo sido presidente do diretório da engenharia da UFF. Estudou na USP quando foi eleito diretor da UEE – União Estadual dos Estudantes, primeira diretoria após o seu fechamento pela ditadura. Foi representante dos estudantes no Comitê Brasileiro de Anistia/SP, onde atuou em defesa dos presos políticos junto com Terezinha Zerbini e outros líderes sociais.

Em 1992, Peregrino foi um dos responsáveis pela implementação e funcionamento da Rede Rio de Computadores (Rede Rio), o Backbone da Web no Estado, por isso foi reconhecido como um dos construtores da Internet (2017) pela RNP,  uma rede acadêmica de acesso à Internet de alta velocidade.

Em sua administração da FAPERJ, foi instituída a Diretoria de Tecnologia, criado o Programa Cientista de Nosso Estado, o de Editoração, o Inovação Rio, os Instituto Virtuais e o apoio decisivo a iniciativas pioneiras, como os estudos e pesquisas sobre terapia celular, biodiesel, genoma proteomica.

Assessoria de imprensa/CONFIES
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Votação para renovação do terço do conselho diretor da instituição, para o triênio 2022 e 2025, aconteceu nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2022

O presidente do CONFIES (Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica), Fernando Peregrino, é um dos novos membros do Conselho Diretor do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. A votação para renovação do terço do conselho diretor da instituição, para o triênio 2022 e 2025, aconteceu nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2022.

“Ficamos entre os 10 primeiros dos 25 eleitos para o conselho diretor do Clube de Engenharia. Mais uma trincheira em defesa da pesquisa, da tecnologia e da democracia”, destaca o engenheiro Peregrino, também diretor da Fundação Coppetec, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A chapa completa, chamada de Engenharia, Desenvolvimento e Democracia (EDD), é composta por um grupo multidisciplinar de associados remidos e efetivos, alinhados com o programa estratégico da chapa de mesmo nome (EDD) eleita em 2021, encabeçada pelo presidente Márcio Girão.

Clube de Engenharia

Fundado em 24 de dezembro de 1880, pelo engenheiro Conrad Jacob Niemeyer, o Clube de Engenharia é uma instituição que agrega engenheiros e técnicos com o intuito de oferecer um espaço democrático para o debate de questões sobre o desenvolvimento nacional e a capacitação técnica dos engenheiros. Ao longo de seus 140 anos, o Clube se transformou em um polo de informação, referência no exercício de pensar o desenvolvimento do Rio de Janeiro e de todo o País.

A primeira diretoria do Clube de Engenharia foi eleita após a aprovação de seu estatuto pelo então Imperador D. Pedro II, pelo Decreto Imperial nº 8.253 de 10 de setembro de 1881.

A nota foi assinada, até agora, por 40 entidades, entre elas a ABC, Andifes, CONFIES e SBPC, que integram a Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento do Brasil (ICTP.Br)

A comunidade acadêmica, científica e empresarial brasileira vem a público denunciar mais uma manobra para retirar recursos do financiamento à Ciência brasileira, efetuada nesta segunda-feira, 29.08, quando o governo federal publicou uma Medida Provisória que, na prática, contingencia os recursos disponibilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT.

A Medida Provisória nº 1.136, de 26 de agosto de 2022 altera a Lei nº 11.540, de 12 de novembro de 2007, que dispõe sobre o FNDCT, numa clara afronta ao Congresso Nacional que, no ano de 2021, aprovou, após derrubar o veto presidencial, a Lei Complementar nº 177, que proíbe o contingenciamento orçamentário do Fundo pelo governo federal.

Do total previsto na LOA 2022 para o FNDCT (R$ 9 bilhões), a MP autoriza a liberação de R$ 5,5 bilhões para o exercício. Desse montante, metade se destina às operações de empréstimos da FINEP, com impactos no setor industrial do país, e a outra para o financiamento de programas, estratégias e fomento à ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Considerando que já foram liquidados e pagos R$ 3,2 bilhões no fomento à CT&I, pode-se concluir que os valores empenhados de cerca de R$ 2,7 bilhões não serão mais honrados em 2022. Pune-se as instituições por serem eficientes no uso e transparência dos recursos públicos.

Confira a nota na íntegra: Governo sacrifica a Ciência brasileira

O Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES) espera que o Congresso Nacional rejeite de pronto a Medida Provisória que prevê novos cortes de 40% em 2022 e nos demais anos até 2027, no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o principal instrumento de fomento da ciência brasileira.

Se essa MP de cortes no FNDCT não for rejeitada pelo Congresso, provocará um tsunami eleitoral que atingirá também o ex-ministro Marcos Pontes que se encontra em plena campanha eleitoral, além dos atuais parlamentares pois foi o Congresso que aprovou por consenso, por duas vezes, a lei que blindava o Fundo contra os cortes que sempre ocorriam. Para a ciência brasileira será o desastre final. Só a ressurreição…

Fernando Peregrino
Presidente do CONFIES

A nota na íntegra está disponível em PDF: Novo bloquei do FNDCT 

A MP está disponível em: Exm-Mpv-1136-22 -25 de agosto 22

Presidente do CONFIES, Fernando Peregrino, traçou um panorama sobre o desmonte da ciência e o respectivo impacto na reindustrialização do País, em debate do Instituto da Brasilidade

Ao contrário da promessa do presidente Jair Bolsonaro de investir 3% do Produto Interno Bruto (PÌB) na área de ciência e tecnologia no decorrer de seu mandato, o que se vê, de fato, é um desmonte geral da estrutura da pesquisa cientifica e tecnológica do País. A observação é do presidente do CONFIES, Fernando Peregrino, em debate online realizado pelo Instituto da Brasilidade na última semana, sobre políticas de financiamento de pesquisa, desenvolvimento, ciência e tecnologia visando um Novo Ciclo de Industrialização do Brasil.

“A área da ciência e tecnologia vive uma situação deprimente, com investimento abaixo de 1%, mesmo em tempos de enfrentamento de uma pandemia. Ninguém com sã consciência acreditaria que isso pudesse acontecer, de que o investimento chegaria a 3% do PIB. O que ninguém imaginou, porém, era que a ciência fosse tão perseguida”, acrescentou.

Além de reduzir de forma inédita os orçamentos das instituições federais de ensino e pesquisa (IFES) e das principais agências de fomento, como Capes e CNPq, o governo tem se mostrado hostil à atividade, acrescenta Peregrino.

“Um exemplo foi a perseguição ao ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão, que acabou sendo demitido pelo falto de revelar dados oficiais sobre o aumento do desmatamento do Brasil”.

O titular do CONFIES criticou ainda os constantes bloqueios nos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a principal fonte de fomento da ciência brasileira. Também a recente aprovação da Medida Provisória nº 1.112/2022 (MP da Sucata) pelo Congresso Nacional.

Segundo Peregrino, a MP prejudica drasticamente o financiamento da pesquisa científica e tecnológica no setor de óleo e gás. A MP recebeu o nome de sucata em alusão ao programa Renovar, criado para atualizar e desmontar a frota de caminhões com mais de 30 anos de uso, com recursos da pesquisa.

Com a alteração da Lei nº 9478/97, a MP desvia R$ 3 bilhões anuais provenientes de receitas de empresas petrolíferas que há mais de 20 anos aplicam nas atividades de P&D do setor de óleo e gás, conforme o dirigente do CONFIES.

O presidente do CONFIES analisou ainda a atuação do governo na pandemia e criticou o desmonte de áreas estratégicas para sobrevivência da sociedade.

“Nós queríamos uma vacina brasileira, mas como não tínhamos investido na base lá atrás e, pelo contrário, tínhamos destruído o complexo de saúde que as empresas ainda tinham um pouco, a de química farmacêutica, por exemplo, não foi possível fazer uma vacina brasileira mesmo com investimento de última hora. Só conseguimos fazer a vacina em parceria com o laboratório farmacêutico britânico Astrazeneca”, lembrou.

Dessa forma, o País dificilmente acompanhará a curva acedente da inovação no mundo, em áreas como células troncos, terapia genética, impressora 3 D, Inteligência artificial, Indústria 4.0, e Internet das Coisas, lamentou Peregrino.

Ciência não deslancha com atualização de lei

Embora o País conte hoje com um marco legal de CT&I moderno e pró-inovação, a legislação não ajuda muito em razão da carência de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

“O Brasil tem um dispositivo legal relativamente moderno que não condiz com a realidade da situação da ciência brasileira”, avalia o presidente do CONFIES, também diretor da Fundação de apoio Coppetec, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Além de investimento no setor, Peregrino defende a desburocratização da pesquisa para estimular o chamado modelo tríplice hélice, que é a relação compartilhada entre universidades, empresa e governo.

“A inovação aberta diz que essas três esferas têm de cooperar entre si para gerar tecnologias em benefício de nossa sociedade. Esse é o caminho para reindustrializar o País”, destacada Peregrino.

Peregrino voltou a criticar  o congelamento de bolsas e também a defasagem dos valores concedidos desde 2013. Segundo ele, o Brasil possui 888 cientistas por milhão de habitantes, atrás da Argentina, com 1.207; e aquém da média do mundo, de 1.398, segundo os dados da OCDE.

Na contramão do mundo

O presidente do CONFIES mencionou ainda dados da OCDE segundo os quais 55% das riquezas do mundo são oriundas do conhecimento. Ou seja, sem investir na ciência o Brasil perde oportunidades econômicas. “Os grandes ganhos de produtividade daqui para frente advirão das melhorias na gestão do conhecimento”, disse Peregrino parafraseando Peter Drucker.

O investimento nacional em P&D gira em torno de 1% do PIB, motivo pelo qual o País se mantém há anos na 62ª posição no Índice Global de Inovação (IGI), bem aquém do mundo desenvolvido como EUA (2,8º) e Coreia (4,5º), lamentou o dirigente do CONFIES.

Estratégia ZERO nos programas de Defesa

Outros setores prejudicados pela falta de estímulo científico e tecnológico entraram na roda do debate. É o caso da Estratégia de Defesa do Estado brasileiro. Embora sejam chamados de estratégicos, o presidente do Instituto da Brasilidade, Darc Antonio da Luz Costa observou a falta de capacidade estratégica nos programas de Defesa.

“Os caças da Aeronáutica são armas ultrapassadas”, exemplificou. “Na guerra do futuro, que está no presente (Rússia e Ucrância), se opera com elementos aéreos movidos pela inteligência artificial sem tripulação. Estamos profundamente atrasados”, reforçou o engenheiro.

Costa apontou duas ferramentas fundamentais em tempos de guerra: a tecnologia missilística, entendendo o míssil como tudo que transita nos meios terrestre, aéreo e naval, sem a presença humana, podendo ser controlada tanto pela inteligência artificial como remotamente. A outra é o controle espectro eletromagnético, acrescenta.

“Se não contarmos com o sistema de pesquisa estaremos totalmente vulneráveis em termos de Defesa”, analisou.

Já o vice-presidente do Instituto da Brasilidade, Carlos Saboia Monte avalia  que a ciência não conseguirá avançar no Brasil sem a presença do Estado.  Enquanto Bruno do Val, mediando o debate, questionou se a carência de recursos na ciência, paralelamente ao despreparo da infraestrutura dos laboratórios de pesquisa, poderia implicar na segurança nacional.

O assessor da Presidência da FAPESP, Alexandre Comin perguntou ao presidente do CONFIES sobre o atual papel das fundações de amparo à pesquisa dos Estados (FAPs) na condução do fomento à atividade de física. Por sua vez, Peregrino enalteceu o papel das FAPs e respondeu que essas entidades vêm assegurando recursos na atividade e ocupando, até mesmo, espaço do financiamento federal.

O debate na íntegra está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jhwWPv2YwDo

(Viviane Monteiro/CONFIES)

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O CONFIES – Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica – é uma associação civil com personalidade jurídica de direito privado sem fins lucrativos que agrega e representa centenas de fundações afiliadas em todo o território nacional.

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